sexta-feira, 12 de maio de 2017

Ao Anjo acima de mim


Através de ti minha vida chegou
E pela mesma, um tanto meu partiu
Curto tempo, mas intensamente amou
Tudo que novamente escolheria sentir

Hoje mais de perto sinto o céu
Os astros, as nuvens e ar frio
Teu calor e tuas palavras em mim
Hoje um anjo que outrora partiu

Há mais beleza nos céus
Desde que ele te recebeu
O espaço que recebe o voo meu
Que na infância só existiam em papéis

Por mais que a tristeza tenha descido
Por mais que o amor pareça ter morrido
É de saudade e alegria a lembrança
De quem me amou desde a infância

E ao ver o riso do sol ao amanhecer
Vejo o brilho que se erguia nos olhos teus
Ao me acreditar vivendo por entre as nuvens
Hoje, como um, realizo o teu brilho nos meus


**Escrito em homenagem ao anjo que hoje tenho sobre mim, à Mãe, Amiga, Confidente e responsável pela educação que me foi dada.

terça-feira, 1 de março de 2016

Sobre um Espelho Retrovisor


É sobre um espelho retrovisor
De moto ajustado um pouco ao alto
Onde vejo a imensidão de um anjo
E uma minúscula migalha de céu

Com as curvas superiores dos olhos
Eu desenharia o nascer do Sol
E um horizonte, sem um riacho
Umedecidos apenas pelo orvalho

Uma parte, pois o todo é demais
Em meio a tanto que se tem
Que se perde e rebusca
Uma beleza que há muito ofusca

A paz que me traz
A leve curvatura das maçãs
De comer com os olhos
De ousar até as cerejas

Faz sentido ser todo teu
Dá sentido ao pouco meu
Enquanto tiver seu jeito
De me trazer calor, eu aceito!

É súbita a morte
De todo mau-estar
Com o teu toque
Enquanto me abraçar

São dóceis as carícias
E doces as intenções
Há sim uma malícia
De dominar um coração

terça-feira, 6 de outubro de 2015

Ao Ligar

Então são tantos problemas
Tão poucas soluções
A busca na poesia por fonemas
Textos lidos sem conclusões

É tanto que o pranto desaba
Contorna a trêmula voz
Que algoz entrega-nos em ligação
Triste estamos, somos nós

Os nós da minha velocidade
Carregam-me a distantes pontos
E mostra-nos que sempre fomos
Quem hoje estamos

quarta-feira, 17 de junho de 2015

A Zica da Flora

Zizi que casou com Flora
Que lembrava Sherlock por ter um Watson
Que confundia-se com Teresa
Que por ser chata vivia desprezada
Investigava vida'lheia como ninguém
Toma um gole ou dois, por seis seus
Pra ver de todos a verdade exalada

O que vê no anoitecer do sábado
Proclama'Deus e ao mundo!
Piedade, então, peço ao Deus que é dela e meu
O perdão, que já dizia o poeta, um dia cansa de perdoar
Do tanto que já vaguei, não vi um terço que ela viu
O mesmo terço é da reza dela

Zizi é fogo ardente ainda em vida prestes ao inferno
Quando se for não haverá quem empreste gelo e água
Que poeta vai se calar diante desta
Perturba mais que uma paixão

Teresa era desprezada mas era acolhida
Sherlock salvava a boa moça
Flora teve azar e morreu com Zizi

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Firmamento

No corte aperta a pele... Sutura!
É a cura necessária ao que perfura?
Quando tão melhor à memória é a dor
O ardor de reviver por lapso anestésico, que no passado dor já foi...
Que o sofrimento me leve aos céus, que azul e sem forma vive
Que de paraíso apelido carrega
E a nuvem pesada suporta
Mas excesso não comporta e cai
Desaba, pobre céu, paraíso...
Perdido, confuso, destrói
Refaz-se, põe-se a pensar que não foi de todo turbulento
Tempestade, um momento e em outro paz
Há um sol em seus olhos... Só!
Há sim, também a lua, fria e pura
Como ela, bela, não há!
Dias meia, minha ou sua...
À vez que é minha, recusa sutura!
Perpétua dor e já a vejo sem cor
Mas surge, dizendo simplesmente: Estou!
Parte apenas!
E as estrelas? Centenas!
Cintilantes...
Como não as senti antes?!
Sendo céu, tenho estrelas
Tenho Sol, temo a Lua.
De céu me resumo a lago
De lago a pássaro
Belíssima Arara, que parte os céus...
Aos céus.
À mim, que volto à firmamento.

domingo, 7 de setembro de 2014

Ao Mundo Alheio

Há frieza lá fora e também em mim
Há tristeza lá fora e também em mim
Há chuva, fortes ventos e você sem mim
Devasta-me por dentro, e lá fora não há fim
Seus círculos, pandora, outrora explícitos
São hoje botões que desabrocham temores
Equívoco meu em adivinhar tuas cores
Jamais saberei e cabe a mente aceitar
Sabiamente entender...
Que muito de mim está lá fora
Que mais do mundo há em mim
Enfim... Enfim... Enfim.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Há Tanto Solto

Acolhem soltas pontas
Entrelaçam, cruzam pontos
Criam pontes, ampliam acervos
Quem somos? Santos? Não...

Não o todo, pois somos partes
P'ra um todo, que muito falte
Que seja tua a parte ausente
E não sempre a minha em mim

Que me veja teu olho esquerdo
Como se direito eu fosse
O desejo é um ser perfeito
Mesmo o desejo não sendo um ser

Será um admirável ser
Se teus olhos não buscarem
Mas tua alma sim
O que enterro dentro de mim

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fez-se livro

De tod'uma vida assim se fez
Meu livro com páginas negras
Leio apenas uma vez
Indisposto ainda salto páginas

terça-feira, 1 de abril de 2014

PõeMar

Faço o sol
Caço a chuva
Caçoo da nuvem, pobrezinha...
Um dilúvio espero sempre
Despreparo o corpo
Desato cadarços, descalço
Largo a vida num lago só meu
Que fez lá em casa, fui à rua
Chuva fria, gélida como só ela sabe
Eu, que a venci e nem lutei
Mas cheguei, me molhei...
Cresci mais forte em oposto
Gosto como ela chega
À mesa ponho-me servido
Servo d'uma corrente que não tem aço... Acho...
Um guerreiro, que só se encontra, contra tudo!
Sob a chuva à tona tudo surge
Uns fogem... Correm... Cobrem...
Há de se cobrir, cobrar um teto, quem nunca teve
Pede o seu, que impede a chuva
Gosto como ela chega
Quando chega, trata com carinho...
Em meu caminho sinto e só
Sobrevivo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Caminho Colateral

Mais rápido o homem passa
Passa como se não fosse um bom
Como se ruim fosse, passa
Sem voz, em pranto disfarça

Da música o canto não há
De pranto preenche o ar
É tudo que ainda não fui
Mas é de tristeza que padecerá

Busca qualquer caminho
Não planeja, perfura o vento
Cabisbaixo sem tom nem tinto
Talvez busque um podre ninho... Passarinho!

Há por aqui um banco
Passará direto a se cansar
Numa nuvem há de se sentar
Corria porque ia viver

Apressado porque precisava nascer
Atrasado porque não tinha amado
Abalado porque nunca haveria de conhecer
Um amor que não o deixasse cabisbaixo

Seguiu triste
Seguiu para a vida
Partiu livre
Partiu por sua vida

sábado, 15 de março de 2014

Guarda Versos

Numa mesa qualquer, recolhi você...

Há no ar que foi teu
Por ora poeira do passado
Por mais que tenha passado
Há tristeza por teres partido
E me repartido...
Abatido...
Não mais querido
Eu... Vivo?

Ouve! Houve...
Tuas piadas, meus versos
Teu faz-de-conta qu'eu insisto
A gravidade da grave voz sempre breve soa
Suo por medo da bronca
Sou de onde vim, parte de ti
Par, tic-tac
Parte que o tempo é poeira
Ando só...
Par desfeito, outrora quarteto...
Sem mais efeitos, imperfeito...
Desfeito... Sem brinquedo... Sem mimos... Sem mim!

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Dor Nascente

A Puberdade - Edvard Munch


Meu corpo é como se não fosse meu
Sinto ser mais do que era
Tenho mais, sei bem mais
Tudo posso, tudo faço

Sinto um estranho morando em mim
Vejo tudo com olhos alheios
Eu que nunca fui assim
Não me sinto ainda inteiro

Deixo a infância
Deixo a inocência
Um novo mundo uma nova crença
Há uma nova necessidade de presença

Meu desejo é por alguém
O corpo aquece, eu te vejo
Estou estranhamente em ti
Onde agora me sinto bem

A voz outrora aguda
Ou a menarca que me vem
Meu humor é inconstante
Tudo muda num instante

Percebo teu corpo sinuoso
Tua voz já me arrepia
Teu toque, uma carícia
Um instinto que me guia

A boneca agora é outra
Meu esconde-esconde, outro lugar
O pega-pega hoje mudou
O encanto do conto acabou

Nossos ritos hoje desfeitos
Olho tantos outros bárbaros
Descrevendo uma passagem
Que natural, cumpro perfeito

domingo, 2 de março de 2014

Saudade à Pagar


Acima de tudo, que não é todo
Herói notável só a mim
Não a todos, parte de mim
Assim ressurge em memória

Memória que me faz bem
E ao mesmo tempo desfaz
Surgem elas, ótimas e péssimas
Sendo minhas duras arestas

Sei do meu receio e lamento
Confiar no que sai de ti
De tua alma, se é que tens
Sei quem o fez, tu me disseste

Neguei meu sangue, sou veias vazias
Percorre agora novos corpos
Não mais o meu
Teu sangue é só teu

Vivendo como em tempos passados
Visto que tudo um dia já houve
Minhas idades transpassadas com lágrimas
Pranto onde um dia já esteve, estive, estiveres...

Que tanto me dissestes a não fazer
Não correr, não largar a mão
De ti tantos não's
De mim tantos porquês

...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

De Um Pedaço ao Inteiro

A lua que chega agora sem verniz...
Que amarelada, espalhada, destroçada...
Cheia de si, chega-se a mim
Como cilada, finge desarmada

Pule a farsa, busque a caça
Não se faça de força
Quando força não tem
Mas que muito bem disfarça...

Quão dissimulada tu me vens
Perdida, a preferida, desapercebida...
Dispersa-se como os ventos às pétalas
Como a vida ao fim da flor... Finda!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ousar Voar

Chegou ao mundo sem saber que voava
Se voava, como então, fazê-lo...
Preso apenas aos cantos, entoava
Enquanto o encanto não se fazia voo

Saltou, então, e sentiu a vida
Cortando a brisa
Fez do ar se mundo
Fez dele uma estrada infinda

Quis subir e subiu
Quis descer, e o fez
O mundo inteiro então viu
Não resistiu vê-lo de uma vez

Por partes então preferiu
Explorar, ousar, voar...
Lutar sem ter que vencer
Um dia feriu-se, então caiu

Ferido percebeu
Que o mundo não era seu
Que voltar levava tempo
Começou o seu lamento... É tanto.

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Pontos


            Prefiro a palavra, apesar de exagerar nas vírgulas, e a tristeza é como uma palavra, que é sempre maior que uma vírgula, ponto. Entre as palavras sempre vai haver, uma vírgula, sendo esta a felicidade. Vez ou outra surgirá um ponto, pondo fim a tudo que houve. No ponto a felicidade é maior, descobrimos então que a vida não é feito das palavras, mas do intervalo entre elas, e ponto. Algumas palavras escondem o que era pra ser, ponto. O encanto está no silêncio, no espaço, na eficiência do destaque a uma vírgula, ponto final.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Aurora Que Há De Vir


A escuridão que desabrocha
Desata em mim uma oração
Uma rocha ora lapidada
Consolado por uma canção

Uma oração que afaste o medo
O receio e todo o resto
Que a canção me ponha um teto
Me proteja como mãe ao feto

Lembro, então, de como foi
O momento e a vida em retalhos
Um mosaico banhado em amor
Que agora devo quebrá-lo

Surge agora o sol de outrora
Reaparece e retoma minha aurora
Mostra o que ontem não via
Quando não sabia que tinha vida

Há vida no fim da escuridão
Há mar mesmo que não veja
Que a noite não esqueça
Que é grande o mar que há

Que seja infindo
Que eu saiba entender
Que mesmo sozinho
Eu sim, sei, ei de vencer!

quinta-feira, 28 de março de 2013

Tanto Faz

Na vida que se tem
No sentido de perder
Não é mais como morrer
É mais como um tanto faz

Na medida do infinito
Faz sentido se... Sigo

...

terça-feira, 12 de março de 2013

Do Que Lembra

Que o meu desejo afaste
Tudo que me vier de lá
De cá me dou bem
De lá, nem tanto...

É de longe que o mal vem
Distante, mas me cego
Entrego-me e disfarço
Já não sei o que faço!

Descarto espaço e tempo
Por ora só eu sei quem sou
Perto ou distante, eu sou
Sou quem eu sei

O grito que cessou a discórdia
Discordou da história
Descreu da versão e opinião
Creu apenas na memória

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Como é depois?

É de resposta que não se precisa
Quando se questiona o amor
Uma dúvida que não há...
Falta porto à pessoa indecisa

Aprende-se a correr
Quando há pressa
Apreende-se à morte
Quando se dispersa

Inicia-se o frio, que cala
Intercalam-se, o que se sente
E o que sente
E quem cala...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Tempestade e a Flor

Uma proposta de felicidade
De uma cor oposta à escuridão
De onde estou, obscuro observo
Descubro que do amor, sou servo

Há uma força, que à alma de flor
O vento venha e balance
Mas quando eu me for
Que seja pra uma chance

É chegando em ti que me aconchego
Um chamego em teus braços
Exalando meu amor à ti
Mesmo com diferentes traços

A chuva que me respeite
Furacões que não ousem
Tempestades fraquejam
Sou forte, flor, forte

Só sirvo pra exalar
Poucas vezes espinhar
Lhe afetar, mesmo fraco
Sempre e sempre te amar

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sem Dó

Desprender-se de si, sem desperdiçar
Sem dó nas mãos pra dar
Uma nota, uma afronta, no jornal
No bornal, anotações e pena

Uma, duas, três forças armadas ou não
Pra que tanto se por tão pouco se vai
Que se acorde e saiba que um acorde mata
Sem saber a cor de quem foi, por fim

Ao fim, enfim, os confins
Me renderam tanta luta
Pra ver reder-se o próximo, distante
Que Deus adiante me ajude

Hora doce, hora doze
Que a calmaria me perturbe
E n'aflição tenha prazer
Como no risco de morrer

sábado, 22 de setembro de 2012

InUtil

Infla, arma-se, assusta
Encosta, às costas... Vulnerável
Miserável, vil e injusta
Toma-me a mente e aumenta

Ao menos o mesmo que mais
Lhe imploro que disfarce
Em um gélido toque labial

Mais, desperto-me com mais
Mais de amor, mal de espinhos
Num caminho que de meu
Tenho os pés e meu odor

Exalo, exito e permito-me
Ao êxito seguir
Mesmo sem caminho

Nuvens ao chão debruçadas
Como um "senão" aos seus pedidos
Que se dissipam sob meu sol
Deixando de chover só em mim

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estrela (D)Cadente

O ar de sua graça me persegue
Tanto que me farto
Mesmo que sua presença me negue
E disso, que é quisto, fiz-me grato

Tenho dores, sinto ardores
E aos amores, apenas frases e estações
E as vivas canções
Guardo as mais ardentes

O breve de quem se atreve
O longo de quem se lança
Aquém da intensidade
Aberto a veracidade

Como se quis
Como se quer
Como há de se querer
Como se há de querer
Escolher viver
Sem saber sofrer
Sem coração
Sem canção
Descanse...
Ou desbrave,
Ame
Ou morra
Mas... Morra.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Dança do Mar

Em vão pronunciei-me
Diante de navios
Que iam e vinham
Feito devaneios

Depois do despertar
Com as ondas afoitas
Que perturbavam meu descansar
Minh'alma de outrora, maré mansa

Agita-te, meu bem
Invita-me a bailar - sussurra o mar
Inegável é a vontade de estar inerte
Porém, entrego-me em deleite

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Mergulho

Há de ser tal qual mergulhador
Como a um mar, te amar
Desejar estar imerso
Mesmo que só em versos

Rodopiar no espaço do seu coração
Que em vez de discutir
Inibe logo a situação
Sabendo que de nada vai servir

Traz paz e é capaz de me mimar
E fazer-me delirar
E é na areia que às vezes mergulho
Em certas circunstâncias é minha ânsia

Uma vez mar, duas, areia
Há quem odeie
Digo que é a medida
Do amor desmedido

domingo, 1 de julho de 2012

Ducti Luna

Se mostra como resposta
Ao que mal lhe pergunte
Me apareces lustrosa
E somes num instante

Como dizer-lhe em beijos
Que lhe quero o tempo inteiro
Que o coração cede aos desejos
De um ser que só quer o mesmo

O mundo é intenso
Eterno é o sentimento
'Nunca' é tempo
Medo é desperdício

Sem meu eu em ti
Tudo, então, é propício
A morrer aqui
Como uma flor no gelo

domingo, 20 de maio de 2012

Amor Talhado

Peco em não amar-te
Se contigo não estiver
Preso como noite ao Luar
Numa pressa dissidente

Juiz do amor, julgue minha dor
Se eu não tiver, então, amor
Que seja digno de uma flor
Tenha dó, e o tempo que me ame

A graça que pouco me escapa
Sai de fininho, namoradinha...
Que de chatinho me insiste chamar
No fim sempre me diz amar

Há o risco de ser fiasco
E no caso de haver descaso
Vê-se a causa e se descalço
Vier a me cortar, que cure!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Miserabilidade

Ouvir um blues e ser miserável
Sem piedade desamar e erradicar
Todo pensamento de amor
Que houver num perdido de dor

O rancor esmagado que permite
A saída do sumo orgulhoso
Como um corpo num trilho e um trem...



Dia da Voz

Uma tese que se preze
Veio em vós primeiro em voz
Num momento de vez em quando...
Ouço o vento... Da tempestade uma voz insana...

Mas é a vez... É a voz...

vez da voz que m'inspirou
que bem pouco disse amor
mas em muito demonstrou

vez do natal, vez do amigo
vez do beijo, a vez da terna voz eterna
vez da voz da bisa
vez da voz da bossa
nova que ainda em nós é viva
vez da voz paterna
vez da voz materna
que se mede em sangue
voz da 'vozinha
a vozinha do meu amor...


16 de abril de 2012 - Dia Mundial da Voz

terça-feira, 3 de abril de 2012

No Chuveiro

No Chuveiro...


Não quero um amor pra vida, é pedir demais, eu sei!


Quero um amor pra me sentir vivo e dizer que errei...
Mas ter o prazer de dizer que o amor foi meu
Que a culpa do fim foi só do acaso


O acaso que em uma canção me protegia
Agora põe fim ao meu amor
O fim é algo que eu sabia
Que seja, que ame, que desame, que cure...

domingo, 25 de março de 2012

Nunca Olhar

É por muito saber
(Que) Não atende ao desejo
De direcionar o olhar
Teme cair de amor

Almas recém
Sentimento
Sem medo e medidas
Sem métrica no poema

Desordem de uma ótica
De outra é metódica
Canção em prosa
Cansam da reza sobre rosas

O falar ininterruptível sobre amor
Sobre o mascarar e sofrer dos poetas
Sobre flores, dores e atuações
Sobretudo a nossa vida

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cadentes

Cadentes

De um amor por perto
Quero esperar o incerto
Espiar, deitado, o céu
Em meio ao luto, brilhantes...

Cadentes, tridentes, ascendentes
São estrelas, punições e profecias
Pedidos perdidos em incertezas
Que eu fiz por inocência

Cortando o céu, como a um véu
Estão os anjos de desejos
Pedidos meus por ti
Deitados encaixados e perfeitos...

Olhos que fechados avistam
Ouvidos insensíveis que ardem
'A pele que habita no esconderijo do alto'...
Compreensão e brilho, desejo indecente

quarta-feira, 14 de março de 2012

Olhos de Pranto

Que os olhos de pranto não me encontrem
Que me cerquem, mas não me toquem
Me vejam, mas não insistam
Em colorir-me com a vermelhidão da dor

Da mente, que desmente o que faço
Que razão não precede o amor
E amor não vem do coração
É o que me faz esquecer da canção...

Que eu chore, que planeje
E o meu peso, posto que é pranto
Não há força que me impeça
De viver mais um amor, um encanto.

segunda-feira, 12 de março de 2012

As Pegadas


Certos lugares jamais me terão,
Nunca pertenci como um feto à mãe
Há solos que não serão pisados
Nem tocados sob o chão



Decidi não ir mais a lugares onde minha presença é igual a minha ausência.
Há quem diga que a diferença sou eu quem faço... Mas uma boa parte é a indiferença de quem vê.

Mulher do Sol

Como decifrar o ser "ela"
Reconhecemos o que é d'ela'
Navegamos no infindo horizonte
Em terras de fadas e sem escuridão

As expressões familiares
São de filhas à mãe
De mim recolhe as agruras
Retoma e me faz seguir

Torna dança a triste sonoridade
Traduz no corpo o poema
Reluz a melodia e seduz...

sábado, 10 de março de 2012

Poema Meu

De volta ao mundo
Onde me inundo
Do que é profundo
Em tudo, contudo, sou nada.

Minha própria guerra mundial
Não termina, só alucina...
Insano persigo o final
Como a linha que me deu a vida

São elas parte do meu todo
De meu eu, poema meu...
Poema teu que aflora em mim
Somos todos nós, um.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Morte do Poeta

Ele morre.
O Poeta cai, e enorme é a dor.
Ninguém nota a carne em pedaços
Do sentimento que se fez verbo.
Pr'onde foi a alma da mulher que teve medo de morrer?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ser Um Ser

Ser um ser, humano em um plano
N'outro irracional e insano
Ser jogado ou sentir jogar
Amar e estar sendo julgado

Amando ao amargo sabor
De não ser amado
E desejar que seja dormindo
Que me chegue o fim do apego

Esquecer muito de ti em mim
Conhecer cada escolha tua
Com sal ou açúcar assim...
O sabor de quando não havia fim

terça-feira, 6 de março de 2012

Sensações

Down

Algo esta acontecendo... O que será?
Algo que me toma um sentimento, uma sensação, boa ou ruim?
Não sei lhe dizer, apenas quero falar, contar, desabafar...
Peço-lhe desculpas por jogar em você o que não lhe pertence.
Entenda que se falo com você é por que em ti confio, contigo sinto-me
 unicamente segura e protegida.
Sensações o que será isso?
Perguntas sem respostas . . .

por Clézia Cavalcante

domingo, 4 de março de 2012

Parto do Sol

Foi assim como abrir asas
No segundo que antecedia a queda
No primeiro toque de instante
Um sentimento ofuscado pelo seguinte

A presença no parto do sol
Que chorou em parte por nascer
E parte pelo parto da noite
No ponto em que senti florescer

Meu pensar debruçado em teu colo
Sob a sombra das pequenas folhas
Sobre a grama, em teu colo sonho...
A face que vence a beleza celeste



Usando o cantar dos bicos
Pra te 'poemizar' no ar
Amenizar teu medo de ter
E te perder no mirar...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Da Concha

Mother
Não é, não foi, não seja
Não, mãe, não? Não!
Eu, mero projeto 'interminado'
De afeto, homem ou mulher

Que vivo, que vida viúva tem
Da culpa, dá culpa
Na cópula o surgir
Na cúpula me criastes

Protege, sedando com carícias
À todo ciúme adotado
Por controle ao meu respirar
Que aos poucos me vem a matar

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Poema do Amor Vazio

É limpo, vasto e calmo
Perpétuo, carente e solene
Eterno caçador de amores
Feitos de palavras ocas

Como o bambu enverga
E sendo oco não quebra
O amor vazio
Poupa o portador

Um viver sem lei
Alguém ao seio meu
Que não sei mais
Por que acorda em mim

Não acordas envolvendo-me
Não há cordas tuas
Estou vazio e não prendo
Compreendo o que preciso

Nada vejo nos olhos
Nada sinto de poético
Sem acordes que emocionem
Sem o risco diabético...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

É Teu - Parte I

Tens a cor do amanhecer
O azul em teu corpo nu
Teu contorno que me cega
E teu riso que me alegra

O toque no manto natural
Que encobre a beleza real
Expõe a fronte que esconde
Sua inteligência viral...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

É Um Amor <=> Ser Louco

Ei, acorda! Pierrot, ACORDA!
Colombina não merece Pierrot
Deve parar de chorar
Lenços... E faça-se um Bobo*
Pierrot há de se casar... Há de caçar...

Não perca a pose, não solte o botão
Nem de todo botão cresce um amor
Há o odor, busca-se a rosa
Mas não floresce, de dor padece

Volto pra casa como quem cansa
Quem de dança se esbaldou
E a alegria na praça, ora findou
Alegria era cachaça, não durou...



*Bobo da Corte

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

(In)finito

Uma nação de um homem só
Sutilmente me repreendo
E parece não adiantar
Sempre acaba
Assim

.
Crio
Recomeço
Revivo minha alegria
Universo, pequeno é o príncipe
'Say' que eu estou sozinho
Saí ao teu lado mas...
Ainda assim perdi
Voltei a ser
O Sol
Nu
.
Acabou
Acabei dividindo
Estou em tantos corpos
Que não sei mais do meu idioma
Minha língua não fala mais o que penso
Me tenho em todo beijo que já dei
Falta muito de mim aqui
Falhas expostas
As respostas
Não tenho
Termino
Sóbrio

S...
=X=

Mea Mortis

Fui vítima do sofrimento alheio
Não foi por não ser meu
Mas por ter sido partido ao meio
Em meio ao que foi injusto...

As penas encobriam os choros
E o manto se fazia negro
Que degradava o pranto
Sem obstruir a tristeza

Pernas que não se movem
Choro como a chuva o faz
A morte mais que minha
É minha intensa nuvem...




Derramo o que não tenho
Sobre o túmulo do meu... Do eu...
Doeu me ver imóvel
Um ser nunca, outrora, dócil

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnival

Com tanto carnaval nas ruas
Infestando a falsa cidade de felicidade
Escondendo a morbidez que tem a Segunda
Pr'onde vão com tanta falsidade?

Sacrilégios

Tuas lágrimas vão ao chão
Gotas leves de decepção
Caem e filtram-se no solo
Tornam em lençol, freático até que me falte

O lenço que outrora lhe secou
É lençol que encobre o lado meu
Escondendo meu eu de todos
Ocultando meus sacrilégios...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

cAntiga

"Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar!"
Vou correr a rua inteira
E a bandeira capturar!

A cantiga é antiga
Não é fácil perdoar
Mas o amor, só por ser pouco
Rapidinho se acabou... E apagou...

Apagou a fogueirinha
Que já queimou o meu amor
Há uma dança que traz chuva
Chuva que não cause dor

Sou da terra, fui normal
Minha vida então mudou
Era bom, hoje sou mal
O balão que caía, voou

sábado, 11 de fevereiro de 2012

As Mesas

DeviantArt.com
Venham então todos à mesa
O carimbo corre solto
Senta-se o chefe e os servos
Entro, eu, com cobertor social envolto

Tomo agora uma mesa
Onde vence a beleza
Natureza errônea
Pois a vida é a incerteza

Há então outra mesa
Amizades que surgem
É no bar em que conto
Os desamores que urgem

É na mesa que eu sirvo
É na mesa que sou servido
Sentado à mesa, sou servo
À mesa, à mesa, à mesa

Após minha morte permaneço
Numa mesa de autópsia
Por mais que não queira
Vez ou outra pereço

Mas não fico sozinho
Se na mesa há lugar
Alguém sempre acompanha
Como em mesa de bar

Não há não se entregue
E que ao amor renegue
A tristeza de se lamentar
Como é bom um dia amar

Uma outra onde assento
Redescubro, eu aprendo
Onde vai mais um acento
Pra que saiba sempre mais...

Sem saber

Pássaros Sem Máscaras

Preciso de um lugar com pássaros
E não com máscaras
Com um tempo que não passe
E não um tempo que me mate
De um lugar ao sol, não à sombra
Onde possa desejar o possível
Por já ter o impossível em mim...

Poema Azul

Olha, olha o poema que corre em minhas veias... Vês o quão azul me corre, me ocorre que o azul é cor de morte, o poema é minha morte... Há mais azul em meu sangue, que vermelho, há branco mas não há paz. Não há com o que se preocupar, se a morte poética é meu caminho, e o modo de revirar a vida é suscitar tristeza, eu vivo, mas sem medo do que me é azul.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Língua Fria

O frio é triste,
Mais triste ainda é tua ausência, oh frio...

É alegre meu sol,
Em dias quentes, desisto e insisto pra que entre...

Tal qual a pele que retém a luz
É o ser que absorve e não elimina o calor...

Amor próprio propõe o orgulho,
Causa o murmúrio, suscita a má língua...

O perto é bloqueado à choque,
E o toque é considerado a morte

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não Há Esquecer

Não há em mim esquecimento
Acontece e, simplesmente, nunca perco
Só me perco, mas não perco minha dor
Perco-me, então, nas boas fendas do amor

Perdoar faz de uma amada, feliz
Mas de um amante, triste
Gerando uma revolta armada
No que, em amar, insiste

Verei o que seria melhor...
Já não posso mais ver
Quero mas não te quero
Ser o poeta, ser o...

Acabou.

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