terça-feira, 26 de abril de 2011

Antes e Depois do Amor... a.A e d.A

Se o mar pudesse secar
As areias em vez de molhar,
E o que não fizesse sentido hoje
Meu senso pudesse explicar...


Incompreendido, hoje, é o fim
Disparos, procrastinados, de conversas...
Antes de brotar, não era assim
Puro, sensível e em gozo submerso
 

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Álvares de Azevedo (São Paulo, 12 de setembro de 1831 — Rio de Janeiro, 25 de abril de 1852)

No aniversário de morte de um nobre romântico, venho aqui expôr alguns de seus versos...




Amor

Quand la mort est si belle,
Il est doux de mourir.
V. HUGO

Amemos! quero de amo
Viver no teu coração!
Sofrer e amar essa dor
Que desmaia de paixão!
Na tu'alma, em teus encantos
E na tua palidez
E nos teus ardentes prantos
Suspirar de languidez!
Quero em teus lábios beber
Os teus amores do céu!
Quero em teu seio morrer
No enlevo do seio teu!
Quero viver d'esperança!
Quero tremer e sentir!
Na tua cheirosa trança
Quero sonhar e dormir!
Vem, anjo, minha donzela, Minh'alma, meu coração...
Que noite! que noite bela!
Como é doce a viração!
E entre os suspiros do vento,
Da noite ao mole frescor,
Quero viver um momento,
Morrer contigo de amor!

(Extraído de "Lira dos Vinte Anos" - 1853 - Álvares de Azevedo)

domingo, 24 de abril de 2011

Servirei ao meu Amor assim...

Quero ao meu amor servir
Como concha, ao dormir,
Travesseiro, ao adormecer do sol,
Sol, que no dia, sai a causticar

Enquanto amor não tenho,
Vivo apenas por me cuidar
Sem dizer de onde venho,
Mas, buscando a quem amar

Amar à todos, disse O Criador
Compartilhar comigo a dor
Que hoje sofre a fronte do poeta,
E do vasto caminho liberta

Dai-me oh veredas...
Sinais de tua existência
Sem atalhos não alcanço
Aceito toda subserviência!

Com quem anda o Poder?

Com quem estaria o poder?
De alterar a forma de amar,
Modificar a maneira de viver,
Ir adiante, sem desconfiar...

O lado mais forte de uma ponte
Se existisse seria o meio...
É onde os rios se escondem
E os moradores, ao seu leito

O reflexo que emudece a fala
Por já te ver em mim
Todo esforço faz a imagem calar
Não foi escolha minha, viver assim

Sem perceber, me perco
São laços dos teus cabelos
As pistas que me guiam
Não me permitem o desespero

Melhor Desafeição...

A melhor forma de desafeição...
Não única, mas melhor
É ter o carinho aquinhoado além,
Não prender-se apenas um alguém
Guiar o sentimento com maestria
É um dom, que provém da coragem...
Lealdade? Pode te levar ao auge
Ou derrubar-te por inteiro
Basta amarem-lhe apenas a metade
Leva-te às portas do inferno,
Te faz ver o que nunca sonhastes
O que tem origem em teus pesadelos
Ao mais profundo desalento
Não mais amar, eu tento...
Controle há nas mãos, não no coração
[...]

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Não se pode escolher a quem amar

...não se pode controlar...
Qual o preço da partida?
O escárnio de uma vida
Discipulos indisciplinados são...
Corpo, alma e coração



Cavalgando sem guia
Pode ser noite ou dia
Não se pode controlar
Não se escolhe a quem amar



Da boca, um sorriso
Do coração, o que preciso
Da ausência, o bom frio
De um ombro, choro amigo




terça-feira, 19 de abril de 2011

Quanto vale um "Boa noite!"?

Não tem idade, cor ou sexo...
          Numa noite qualquer, nenhum cidadão sequer o respondeu... E de onde não se esperava veio o Boa noite, recíproco e dotado de atenção, foi direcionado ao que por muitos é considerado como inútil e condenado à desilusão, a indifereça.


          Noites frias, descoberto à deriva no mar de rosas mortas, esperanças vindas das calçadas ou avenidas, cada sinal é um ponto de trabalho, moedas que como retalho formam um recido, insuficiente até para encobrir a fome sentida na mesma hora dos que comem café, almoço e janta em seus devidos horários...


         Malabarista, palhaço, vendedor de feijão, morango ou doador de tristeza, distribuem de forma descontrolada a consciência de problemas sociais, mas poucos tomam para si.


          A necessidade não é só de moeda, migalha ou cigarro... A necessidade vai além... O desejo de um simples "Boa noite!" é gratificado tanto quanto uma nota de 100 reais.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Noite, triste noite aquela...

Noite atormentada pelos espíritos do maldizer, antigas cantigas ressoam vindas do norte, que é pra onde vou. Recriou-se o clima de fim de ano, despedida e desengano.


Das portas que outrora envaideciam-se a fechar, agora permanecem abertas, nem paredes neste instante me cercam, sou livre e deixarei voar os pássaros que traziam cores à minha vida, mas permanecerá viva na memória...


Cantigas de roda...
Antigas  e uniformes...
O Gigante do João do Pé de Feijão...
O Lobo mau...
O Dragão do Castelo...
As bruxas presentes...



Bruxos, ogros e trolls...

Todos se mostram com feição de finais, assustadores e malvados, sempre vencidos por príncipes e heróis!



Todos precisam de inícios, meios e infelicidades.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

O Sopro na Chama

Soprar faz desfalecer pouco fogo
Soprar alimenta o que não é pouco
Brilha, não mais como deve
A distância, que a ausência a leve

Um tem um cobertor para abafar
O outro as mãos, e só...
Da chama mais alta que tive
Pr'apagar, e sem motivo ir ao pó

Do que veio ao que vier
Não mais darei origem
Acontecerá, se for pra ser
E o fim, então, sem mais vertigem

Bandeiras à meio mastro
Luto agora, pra não ser luto

sábado, 2 de abril de 2011

Lebre livre, é O Poeta!

Aguçado senso, agora dorme
Não de morte, mas de descanso
Liberto, corre ID à flora
Segue afoito e não mais manso


Lá se vai o sequelado
Escondendo-se rostos à fora
Segredos irreveláveis
Pelo medo dos poetas de outrora



Do feto desfeito
Pelas mãos do desrespeito
O livrou do afeto
De um mundo que é de espertos

Um pouco dO Poeta

O Poeta ama as palavras
Tal qual elas a gramática
Que ordem as impõe
Sem uso da má temática


Com ou sem estas persiste
Seja ódio, amor ou dor...
À borboleta ele ensina
Que é sina sua virar flor e não bolor


Rosa murcha não é morta
Quando ainda é madrugada
Tristeza bate, caso acorde
Rios de pranto mancham o manto


Este é O Poeta sentido
Permanece a minha cisma
E me encontro com perdidos
Ao forte e fraco sempre ensino

Seguidores

Tradução