quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Como é depois?

É de resposta que não se precisa
Quando se questiona o amor
Uma dúvida que não há...
Falta porto à pessoa indecisa

Aprende-se a correr
Quando há pressa
Apreende-se à morte
Quando se dispersa

Inicia-se o frio, que cala
Intercalam-se, o que se sente
E o que sente
E quem cala...

terça-feira, 6 de novembro de 2012

A Tempestade e a Flor

Uma proposta de felicidade
De uma cor oposta à escuridão
De onde estou, obscuro observo
Descubro que do amor, sou servo

Há uma força, que à alma de flor
O vento venha e balance
Mas quando eu me for
Que seja pra uma chance

É chegando em ti que me aconchego
Um chamego em teus braços
Exalando meu amor à ti
Mesmo com diferentes traços

A chuva que me respeite
Furacões que não ousem
Tempestades fraquejam
Sou forte, flor, forte

Só sirvo pra exalar
Poucas vezes espinhar
Lhe afetar, mesmo fraco
Sempre e sempre te amar

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Sem Dó

Desprender-se de si, sem desperdiçar
Sem dó nas mãos pra dar
Uma nota, uma afronta, no jornal
No bornal, anotações e pena

Uma, duas, três forças armadas ou não
Pra que tanto se por tão pouco se vai
Que se acorde e saiba que um acorde mata
Sem saber a cor de quem foi, por fim

Ao fim, enfim, os confins
Me renderam tanta luta
Pra ver reder-se o próximo, distante
Que Deus adiante me ajude

Hora doce, hora doze
Que a calmaria me perturbe
E n'aflição tenha prazer
Como no risco de morrer

sábado, 22 de setembro de 2012

InUtil

Infla, arma-se, assusta
Encosta, às costas... Vulnerável
Miserável, vil e injusta
Toma-me a mente e aumenta

Ao menos o mesmo que mais
Lhe imploro que disfarce
Em um gélido toque labial

Mais, desperto-me com mais
Mais de amor, mal de espinhos
Num caminho que de meu
Tenho os pés e meu odor

Exalo, exito e permito-me
Ao êxito seguir
Mesmo sem caminho

Nuvens ao chão debruçadas
Como um "senão" aos seus pedidos
Que se dissipam sob meu sol
Deixando de chover só em mim

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Estrela (D)Cadente

O ar de sua graça me persegue
Tanto que me farto
Mesmo que sua presença me negue
E disso, que é quisto, fiz-me grato

Tenho dores, sinto ardores
E aos amores, apenas frases e estações
E as vivas canções
Guardo as mais ardentes

O breve de quem se atreve
O longo de quem se lança
Aquém da intensidade
Aberto a veracidade

Como se quis
Como se quer
Como há de se querer
Como se há de querer
Escolher viver
Sem saber sofrer
Sem coração
Sem canção
Descanse...
Ou desbrave,
Ame
Ou morra
Mas... Morra.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Dança do Mar

Em vão pronunciei-me
Diante de navios
Que iam e vinham
Feito devaneios

Depois do despertar
Com as ondas afoitas
Que perturbavam meu descansar
Minh'alma de outrora, maré mansa

Agita-te, meu bem
Invita-me a bailar - sussurra o mar
Inegável é a vontade de estar inerte
Porém, entrego-me em deleite

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O Mergulho

Há de ser tal qual mergulhador
Como a um mar, te amar
Desejar estar imerso
Mesmo que só em versos

Rodopiar no espaço do seu coração
Que em vez de discutir
Inibe logo a situação
Sabendo que de nada vai servir

Traz paz e é capaz de me mimar
E fazer-me delirar
E é na areia que às vezes mergulho
Em certas circunstâncias é minha ânsia

Uma vez mar, duas, areia
Há quem odeie
Digo que é a medida
Do amor desmedido

domingo, 1 de julho de 2012

Ducti Luna

Se mostra como resposta
Ao que mal lhe pergunte
Me apareces lustrosa
E somes num instante

Como dizer-lhe em beijos
Que lhe quero o tempo inteiro
Que o coração cede aos desejos
De um ser que só quer o mesmo

O mundo é intenso
Eterno é o sentimento
'Nunca' é tempo
Medo é desperdício

Sem meu eu em ti
Tudo, então, é propício
A morrer aqui
Como uma flor no gelo

domingo, 20 de maio de 2012

Amor Talhado

Peco em não amar-te
Se contigo não estiver
Preso como noite ao Luar
Numa pressa dissidente

Juiz do amor, julgue minha dor
Se eu não tiver, então, amor
Que seja digno de uma flor
Tenha dó, e o tempo que me ame

A graça que pouco me escapa
Sai de fininho, namoradinha...
Que de chatinho me insiste chamar
No fim sempre me diz amar

Há o risco de ser fiasco
E no caso de haver descaso
Vê-se a causa e se descalço
Vier a me cortar, que cure!

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Miserabilidade

Ouvir um blues e ser miserável
Sem piedade desamar e erradicar
Todo pensamento de amor
Que houver num perdido de dor

O rancor esmagado que permite
A saída do sumo orgulhoso
Como um corpo num trilho e um trem...



Dia da Voz

Uma tese que se preze
Veio em vós primeiro em voz
Num momento de vez em quando...
Ouço o vento... Da tempestade uma voz insana...

Mas é a vez... É a voz...

vez da voz que m'inspirou
que bem pouco disse amor
mas em muito demonstrou

vez do natal, vez do amigo
vez do beijo, a vez da terna voz eterna
vez da voz da bisa
vez da voz da bossa
nova que ainda em nós é viva
vez da voz paterna
vez da voz materna
que se mede em sangue
voz da 'vozinha
a vozinha do meu amor...


16 de abril de 2012 - Dia Mundial da Voz

terça-feira, 3 de abril de 2012

No Chuveiro

No Chuveiro...


Não quero um amor pra vida, é pedir demais, eu sei!


Quero um amor pra me sentir vivo e dizer que errei...
Mas ter o prazer de dizer que o amor foi meu
Que a culpa do fim foi só do acaso


O acaso que em uma canção me protegia
Agora põe fim ao meu amor
O fim é algo que eu sabia
Que seja, que ame, que desame, que cure...

domingo, 25 de março de 2012

Nunca Olhar

É por muito saber
(Que) Não atende ao desejo
De direcionar o olhar
Teme cair de amor

Almas recém
Sentimento
Sem medo e medidas
Sem métrica no poema

Desordem de uma ótica
De outra é metódica
Canção em prosa
Cansam da reza sobre rosas

O falar ininterruptível sobre amor
Sobre o mascarar e sofrer dos poetas
Sobre flores, dores e atuações
Sobretudo a nossa vida

quinta-feira, 15 de março de 2012

Cadentes

Cadentes

De um amor por perto
Quero esperar o incerto
Espiar, deitado, o céu
Em meio ao luto, brilhantes...

Cadentes, tridentes, ascendentes
São estrelas, punições e profecias
Pedidos perdidos em incertezas
Que eu fiz por inocência

Cortando o céu, como a um véu
Estão os anjos de desejos
Pedidos meus por ti
Deitados encaixados e perfeitos...

Olhos que fechados avistam
Ouvidos insensíveis que ardem
'A pele que habita no esconderijo do alto'...
Compreensão e brilho, desejo indecente

quarta-feira, 14 de março de 2012

Olhos de Pranto

Que os olhos de pranto não me encontrem
Que me cerquem, mas não me toquem
Me vejam, mas não insistam
Em colorir-me com a vermelhidão da dor

Da mente, que desmente o que faço
Que razão não precede o amor
E amor não vem do coração
É o que me faz esquecer da canção...

Que eu chore, que planeje
E o meu peso, posto que é pranto
Não há força que me impeça
De viver mais um amor, um encanto.

segunda-feira, 12 de março de 2012

As Pegadas


Certos lugares jamais me terão,
Nunca pertenci como um feto à mãe
Há solos que não serão pisados
Nem tocados sob o chão



Decidi não ir mais a lugares onde minha presença é igual a minha ausência.
Há quem diga que a diferença sou eu quem faço... Mas uma boa parte é a indiferença de quem vê.

Mulher do Sol

Como decifrar o ser "ela"
Reconhecemos o que é d'ela'
Navegamos no infindo horizonte
Em terras de fadas e sem escuridão

As expressões familiares
São de filhas à mãe
De mim recolhe as agruras
Retoma e me faz seguir

Torna dança a triste sonoridade
Traduz no corpo o poema
Reluz a melodia e seduz...

sábado, 10 de março de 2012

Poema Meu

De volta ao mundo
Onde me inundo
Do que é profundo
Em tudo, contudo, sou nada.

Minha própria guerra mundial
Não termina, só alucina...
Insano persigo o final
Como a linha que me deu a vida

São elas parte do meu todo
De meu eu, poema meu...
Poema teu que aflora em mim
Somos todos nós, um.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Morte do Poeta

Ele morre.
O Poeta cai, e enorme é a dor.
Ninguém nota a carne em pedaços
Do sentimento que se fez verbo.
Pr'onde foi a alma da mulher que teve medo de morrer?

quarta-feira, 7 de março de 2012

Ser Um Ser

Ser um ser, humano em um plano
N'outro irracional e insano
Ser jogado ou sentir jogar
Amar e estar sendo julgado

Amando ao amargo sabor
De não ser amado
E desejar que seja dormindo
Que me chegue o fim do apego

Esquecer muito de ti em mim
Conhecer cada escolha tua
Com sal ou açúcar assim...
O sabor de quando não havia fim

terça-feira, 6 de março de 2012

Sensações

Down

Algo esta acontecendo... O que será?
Algo que me toma um sentimento, uma sensação, boa ou ruim?
Não sei lhe dizer, apenas quero falar, contar, desabafar...
Peço-lhe desculpas por jogar em você o que não lhe pertence.
Entenda que se falo com você é por que em ti confio, contigo sinto-me
 unicamente segura e protegida.
Sensações o que será isso?
Perguntas sem respostas . . .

por Clézia Cavalcante

domingo, 4 de março de 2012

Parto do Sol

Foi assim como abrir asas
No segundo que antecedia a queda
No primeiro toque de instante
Um sentimento ofuscado pelo seguinte

A presença no parto do sol
Que chorou em parte por nascer
E parte pelo parto da noite
No ponto em que senti florescer

Meu pensar debruçado em teu colo
Sob a sombra das pequenas folhas
Sobre a grama, em teu colo sonho...
A face que vence a beleza celeste



Usando o cantar dos bicos
Pra te 'poemizar' no ar
Amenizar teu medo de ter
E te perder no mirar...

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Da Concha

Mother
Não é, não foi, não seja
Não, mãe, não? Não!
Eu, mero projeto 'interminado'
De afeto, homem ou mulher

Que vivo, que vida viúva tem
Da culpa, dá culpa
Na cópula o surgir
Na cúpula me criastes

Protege, sedando com carícias
À todo ciúme adotado
Por controle ao meu respirar
Que aos poucos me vem a matar

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Poema do Amor Vazio

É limpo, vasto e calmo
Perpétuo, carente e solene
Eterno caçador de amores
Feitos de palavras ocas

Como o bambu enverga
E sendo oco não quebra
O amor vazio
Poupa o portador

Um viver sem lei
Alguém ao seio meu
Que não sei mais
Por que acorda em mim

Não acordas envolvendo-me
Não há cordas tuas
Estou vazio e não prendo
Compreendo o que preciso

Nada vejo nos olhos
Nada sinto de poético
Sem acordes que emocionem
Sem o risco diabético...

sábado, 25 de fevereiro de 2012

É Teu - Parte I

Tens a cor do amanhecer
O azul em teu corpo nu
Teu contorno que me cega
E teu riso que me alegra

O toque no manto natural
Que encobre a beleza real
Expõe a fronte que esconde
Sua inteligência viral...

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

É Um Amor <=> Ser Louco

Ei, acorda! Pierrot, ACORDA!
Colombina não merece Pierrot
Deve parar de chorar
Lenços... E faça-se um Bobo*
Pierrot há de se casar... Há de caçar...

Não perca a pose, não solte o botão
Nem de todo botão cresce um amor
Há o odor, busca-se a rosa
Mas não floresce, de dor padece

Volto pra casa como quem cansa
Quem de dança se esbaldou
E a alegria na praça, ora findou
Alegria era cachaça, não durou...



*Bobo da Corte

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

(In)finito

Uma nação de um homem só
Sutilmente me repreendo
E parece não adiantar
Sempre acaba
Assim

.
Crio
Recomeço
Revivo minha alegria
Universo, pequeno é o príncipe
'Say' que eu estou sozinho
Saí ao teu lado mas...
Ainda assim perdi
Voltei a ser
O Sol
Nu
.
Acabou
Acabei dividindo
Estou em tantos corpos
Que não sei mais do meu idioma
Minha língua não fala mais o que penso
Me tenho em todo beijo que já dei
Falta muito de mim aqui
Falhas expostas
As respostas
Não tenho
Termino
Sóbrio

S...
=X=

Mea Mortis

Fui vítima do sofrimento alheio
Não foi por não ser meu
Mas por ter sido partido ao meio
Em meio ao que foi injusto...

As penas encobriam os choros
E o manto se fazia negro
Que degradava o pranto
Sem obstruir a tristeza

Pernas que não se movem
Choro como a chuva o faz
A morte mais que minha
É minha intensa nuvem...




Derramo o que não tenho
Sobre o túmulo do meu... Do eu...
Doeu me ver imóvel
Um ser nunca, outrora, dócil

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Carnival

Com tanto carnaval nas ruas
Infestando a falsa cidade de felicidade
Escondendo a morbidez que tem a Segunda
Pr'onde vão com tanta falsidade?

Sacrilégios

Tuas lágrimas vão ao chão
Gotas leves de decepção
Caem e filtram-se no solo
Tornam em lençol, freático até que me falte

O lenço que outrora lhe secou
É lençol que encobre o lado meu
Escondendo meu eu de todos
Ocultando meus sacrilégios...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

cAntiga

"Ciranda, cirandinha
Vamos todos cirandar!"
Vou correr a rua inteira
E a bandeira capturar!

A cantiga é antiga
Não é fácil perdoar
Mas o amor, só por ser pouco
Rapidinho se acabou... E apagou...

Apagou a fogueirinha
Que já queimou o meu amor
Há uma dança que traz chuva
Chuva que não cause dor

Sou da terra, fui normal
Minha vida então mudou
Era bom, hoje sou mal
O balão que caía, voou

sábado, 11 de fevereiro de 2012

As Mesas

DeviantArt.com
Venham então todos à mesa
O carimbo corre solto
Senta-se o chefe e os servos
Entro, eu, com cobertor social envolto

Tomo agora uma mesa
Onde vence a beleza
Natureza errônea
Pois a vida é a incerteza

Há então outra mesa
Amizades que surgem
É no bar em que conto
Os desamores que urgem

É na mesa que eu sirvo
É na mesa que sou servido
Sentado à mesa, sou servo
À mesa, à mesa, à mesa

Após minha morte permaneço
Numa mesa de autópsia
Por mais que não queira
Vez ou outra pereço

Mas não fico sozinho
Se na mesa há lugar
Alguém sempre acompanha
Como em mesa de bar

Não há não se entregue
E que ao amor renegue
A tristeza de se lamentar
Como é bom um dia amar

Uma outra onde assento
Redescubro, eu aprendo
Onde vai mais um acento
Pra que saiba sempre mais...

Sem saber

Pássaros Sem Máscaras

Preciso de um lugar com pássaros
E não com máscaras
Com um tempo que não passe
E não um tempo que me mate
De um lugar ao sol, não à sombra
Onde possa desejar o possível
Por já ter o impossível em mim...

Poema Azul

Olha, olha o poema que corre em minhas veias... Vês o quão azul me corre, me ocorre que o azul é cor de morte, o poema é minha morte... Há mais azul em meu sangue, que vermelho, há branco mas não há paz. Não há com o que se preocupar, se a morte poética é meu caminho, e o modo de revirar a vida é suscitar tristeza, eu vivo, mas sem medo do que me é azul.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

Língua Fria

O frio é triste,
Mais triste ainda é tua ausência, oh frio...

É alegre meu sol,
Em dias quentes, desisto e insisto pra que entre...

Tal qual a pele que retém a luz
É o ser que absorve e não elimina o calor...

Amor próprio propõe o orgulho,
Causa o murmúrio, suscita a má língua...

O perto é bloqueado à choque,
E o toque é considerado a morte

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Não Há Esquecer

Não há em mim esquecimento
Acontece e, simplesmente, nunca perco
Só me perco, mas não perco minha dor
Perco-me, então, nas boas fendas do amor

Perdoar faz de uma amada, feliz
Mas de um amante, triste
Gerando uma revolta armada
No que, em amar, insiste

Verei o que seria melhor...
Já não posso mais ver
Quero mas não te quero
Ser o poeta, ser o...

Acabou.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Não Há Rumo

Há mais de uma semana
Não arrumo meu quarto
Não há rumo em minha vida
É quando penso ser o fim desta lida

O sol passeia pela janela
A lua decide ser um só raio
E o escuro me satisfaz
Portas e janelas por ora fechadas

Teu murmúrio em minha ausência
Consciência minha acalma alma tua
A lama cinzenta e inútil sob tua face
Encobre o mais avermelhado coração

Há mais de três, minutos
Que não lembro de você
E precisas entender
Que lembrar, já é esquecer

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Depois da Guerra

Depois da guerra prometo ser São
Santo eu, depois da morte tua
Minha guerra, meus inimigos
Cansados e todos de almas nuas

Tenho sangue em minhas veias
Uso o pranto da mãe alheia
Pra lavar o sangue fraterno
Que ao meu coração incendeia

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Má Temática

E é na vida...
Trata-se d'uma vontade desvairada
Do livre com munição libertina
Cruzar o horizonte infinito
...

Despedaçar o medo com os dentes
Entrelaçar os dedos e torcer
Jogar-me ao mundo imundo
E o mundo que me ature viver...

Preocupar-me com o mínimo
Esquecer os máximos
Sentir-me multiplicado
À beira da igualdade...

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

A Mensagem

                     A mensagem a mim passada
Como massagem ao 'sentir'
                    Que eu deixo em mim guardado
        Do viver, mais que fingir

A serenata silenciosa...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Acordar sem Teu Lado

Se amanhecer e não me tiveres
Os sustos não serão só seus
Minha coragem em deixá-la
Recusar o calor dos seios

Outros ares que não os de tua boca
Outros males que não teu amor

Há quem de louco me chame
Não há um normal que me compreenda

Nenhum mal que tenha feito
Faz com que me arrependa

Há loucuras... As loucuras... Às loucuras...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

A Luz da Vida


E minha vida inteira lhe coube
Entrou e saiu num piscar de luz
O que fiz até a madrugada
Tive algo que eu mesmo fiz

Em minhas mãos cabem
O que muitos não sabem
Que sou maior em saber
Do que os que acham que tem

Detém o conhecimento que sopra
A força que nos põe a fé
Esforço-me até que sangro
Na dor que é aprender-te

Disperso sendo pré-recomeço
O inverso como sendo final
E a volta lhe peço
Se fui eu o teu mal

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Tua escuridão, teus mistérios

E na profundidade do teu falar
Mergulhava eu sem nadar
Afogado, cedia aos caprichos
Até descobrir o que é amar

E descobrir que sabe amar
É não amar, de fato
Então descubro que nada sei
Passo então a amar, de fato

Todo esse mistério sobre nós
Toda essa sombra em mim
Anula a sombra sob mim
Uno-me então aos mistérios teus

Teus mistérios, nossas sombras...

sábado, 28 de janeiro de 2012

Nossa Dança

Imagem - dica de Clariza Maria
Tenho esperança de um dia dançar
Até a noite tornar-se sol
Até eu e ela ficarmos à sós
Até o amor em mim raiar

Uma dança que não se cansa
Num encontro sem um plano
Em segundo plano uma música
Que me faça esquecer o chão

Ela pode me cantar
Tornar-me versos
Em poesia eu a desvendo
Meus poemas, e seu desenho

O que conversaremos durante
Que durará uma eternidade
Mesmo quando me fizer distante
Sentirei com tanta intensidade...

Violência Cinza

Vestem cinza e é a cor da alma
Sem mistura, o pensamento é único
Com seus pentes e suas armas
Desafiam os da própria casa

Ainda há uma angústia
Por não pagarem
Sob invisível anistia
Ninguém os faz pararem

Quero que esse grito
Seja mais que um mito
O megafone ora calado
E no silêncio já pede paz

Ser brando e não violentar
É impossível ao cinza...
Inibindo a inocência
Está o cinza violência

Na incerteza da caminhada
Há uma desejada chegada
A cadência da arma em punho
Traz o início da decadência

Sombrio

Sombrio Beaches Waterfall por ~Weathered-Vice

Estou à frente de sua indiferença
Da frieza que te encobre
Da beleza que te é esnobe
Só me deixa ficar com o que sobrar!

E no abrir do chão jogarei
Plantarei as sobras
Pra renascer o que senti
Pra sentir e não te lembrar

Sobras de ti implantadas em mim
Agora abro meu peito
Pra te fazer morar
Pra te fazer morrer



De ti, o sentimento que brotou
De mim, a tua morte em meu peito
Como os quadros de quem se vai
Como o já perdido som frio...

Sem mais som no teu brio...

Cólera

Hate por Maanesten - Deviantart
Quero ter tudo que me machuca
Essa verdade, na realidade já me corrói
Meu ser será, de todo, um espinho
No rosto de quem me amar

Quanto mais encontro sobre a dor
Perco a realidade sensitiva
Longe de todo ser palpável
Percebo que lá também há dor

Uma fúria que intensifica
O pulsar de meu sangue
E a dor que persegue o ódio
No veneno que há nas veias

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Catavento



Quero não te ter enquanto eu mesmo não me tiver
Tanto que me houve e ninguém me resolveu
Não consigo me pensar e sentir meu gosto
Cada volta do catavento eu mesmo reinvento...
Meu senso chega sem nexo, teimo e deixo
Envolvo-me com o incerto e visto forte cor
Furta cor, forte o vermelho... Fostes o desejo meu
Hoje não há mais cor sua no meu preto e branco
Amorenada, avermelhada, tão adorada...
Sem mais memórias minhas em ti
Sem lábios em corpos...
Sem lágrimas em copos...
Quando o ciúme envolve o sopro,
E todo vento é vento morto,
Vento em putrefação com os efeitos de um morto amor.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Os Lábios

Na sequidão de teus lábios
Minha fome se refaz
Meu respirar adentra teu ser
Ser sempre seu me inspira...

Inspira, medo, inspira...

Lábios secos ávidos de saliva alheia!

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Leve O Tempo Leve

Leve o tempo ao peso da língua
Como ao peso do tempo que elevo
Revele à tempo o peso
Em meu ser a ser depositado

Que atirem o teu fardo
Para que o diabo o carregue
Não ao endiabrado que te ama
Nem ao fraco que a ti reclama

O teu frasco, outrora lacrado
Repleto de lágrimas expostas ao sol
Desfeitas em sal, cheias do teu mal
A que me fizestes, quando não me querias...

domingo, 22 de janeiro de 2012

Magma

Vulcan by ~acornah

O sofrer parafraseado ao alto
Densidade que se despe ao ato
De aquecer quando me vejo cair
Sem sentir direção em meu corpo
Sou vulcão e tempestade
Inundo quando existo
Fogo ou água, persisto
Caos aos montes
Sufoco o quanto me mostro
Meu espetáculo, teu monstro
Acabo por ferir quem não devo
Por preferir, por tempos, esconder-me

Morte Escura

Quero me entregar às nuvens
Mas estou mais alto
Onde elas não mais existem
É escuro e a noite é todo o dia

Se a meia-noite se chamasse morte
A minha noite clamaria morte
Quero a meia-noite sem demora
A ânsia pelo meu amanhã

A morte separa o hoje
Do amanhã que não existe
Nosso dia, da nossa noite
É escuro e a noite é todo o dia

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Não te toco

Desalmam botões de prosas
Desabrocham então as rosas
Finas fitas de solução
São soltas das minhas mãos

Mostra que tudo uma prosa resolve
Seja poética ou simples dialética
A história que é sem regras
O problema que se dissolve

O violão que há dias não pego
É tristeza tocar Allegro
Dó(i) está(r) tão longe do "C"
Não toco, não me apego

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

O Que se sabe, o que se diz

Sabe-se pouco sobre os loucos
Muito se diz sobre os poucos
De onde se ouve
O que não houve
Da boca surge o verso
Ouvido captando o reverso
Dos olhos nascem o desejo
As mãos realizam os anseios
Dedos onde a pele mais aquece
E toda defesa então padece...

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