quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Firmamento

No corte aperta a pele... Sutura!
É a cura necessária ao que perfura?
Quando tão melhor à memória é a dor
O ardor de reviver por lapso anestésico, que no passado dor já foi...
Que o sofrimento me leve aos céus, que azul e sem forma vive
Que de paraíso apelido carrega
E a nuvem pesada suporta
Mas excesso não comporta e cai
Desaba, pobre céu, paraíso...
Perdido, confuso, destrói
Refaz-se, põe-se a pensar que não foi de todo turbulento
Tempestade, um momento e em outro paz
Há um sol em seus olhos... Só!
Há sim, também a lua, fria e pura
Como ela, bela, não há!
Dias meia, minha ou sua...
À vez que é minha, recusa sutura!
Perpétua dor e já a vejo sem cor
Mas surge, dizendo simplesmente: Estou!
Parte apenas!
E as estrelas? Centenas!
Cintilantes...
Como não as senti antes?!
Sendo céu, tenho estrelas
Tenho Sol, temo a Lua.
De céu me resumo a lago
De lago a pássaro
Belíssima Arara, que parte os céus...
Aos céus.
À mim, que volto à firmamento.

domingo, 7 de setembro de 2014

Ao Mundo Alheio

Há frieza lá fora e também em mim
Há tristeza lá fora e também em mim
Há chuva, fortes ventos e você sem mim
Devasta-me por dentro, e lá fora não há fim
Seus círculos, pandora, outrora explícitos
São hoje botões que desabrocham temores
Equívoco meu em adivinhar tuas cores
Jamais saberei e cabe a mente aceitar
Sabiamente entender...
Que muito de mim está lá fora
Que mais do mundo há em mim
Enfim... Enfim... Enfim.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Há Tanto Solto

Acolhem soltas pontas
Entrelaçam, cruzam pontos
Criam pontes, ampliam acervos
Quem somos? Santos? Não...

Não o todo, pois somos partes
P'ra um todo, que muito falte
Que seja tua a parte ausente
E não sempre a minha em mim

Que me veja teu olho esquerdo
Como se direito eu fosse
O desejo é um ser perfeito
Mesmo o desejo não sendo um ser

Será um admirável ser
Se teus olhos não buscarem
Mas tua alma sim
O que enterro dentro de mim

quinta-feira, 3 de abril de 2014

Fez-se livro

De tod'uma vida assim se fez
Meu livro com páginas negras
Leio apenas uma vez
Indisposto ainda salto páginas

terça-feira, 1 de abril de 2014

PõeMar

Faço o sol
Caço a chuva
Caçoo da nuvem, pobrezinha...
Um dilúvio espero sempre
Despreparo o corpo
Desato cadarços, descalço
Largo a vida num lago só meu
Que fez lá em casa, fui à rua
Chuva fria, gélida como só ela sabe
Eu, que a venci e nem lutei
Mas cheguei, me molhei...
Cresci mais forte em oposto
Gosto como ela chega
À mesa ponho-me servido
Servo d'uma corrente que não tem aço... Acho...
Um guerreiro, que só se encontra, contra tudo!
Sob a chuva à tona tudo surge
Uns fogem... Correm... Cobrem...
Há de se cobrir, cobrar um teto, quem nunca teve
Pede o seu, que impede a chuva
Gosto como ela chega
Quando chega, trata com carinho...
Em meu caminho sinto e só
Sobrevivo.

sexta-feira, 28 de março de 2014

Caminho Colateral

Mais rápido o homem passa
Passa como se não fosse um bom
Como se ruim fosse, passa
Sem voz, em pranto disfarça

Da música o canto não há
De pranto preenche o ar
É tudo que ainda não fui
Mas é de tristeza que padecerá

Busca qualquer caminho
Não planeja, perfura o vento
Cabisbaixo sem tom nem tinto
Talvez busque um podre ninho... Passarinho!

Há por aqui um banco
Passará direto a se cansar
Numa nuvem há de se sentar
Corria porque ia viver

Apressado porque precisava nascer
Atrasado porque não tinha amado
Abalado porque nunca haveria de conhecer
Um amor que não o deixasse cabisbaixo

Seguiu triste
Seguiu para a vida
Partiu livre
Partiu por sua vida

sábado, 15 de março de 2014

Guarda Versos

Numa mesa qualquer, recolhi você...

Há no ar que foi teu
Por ora poeira do passado
Por mais que tenha passado
Há tristeza por teres partido
E me repartido...
Abatido...
Não mais querido
Eu... Vivo?

Ouve! Houve...
Tuas piadas, meus versos
Teu faz-de-conta qu'eu insisto
A gravidade da grave voz sempre breve soa
Suo por medo da bronca
Sou de onde vim, parte de ti
Par, tic-tac
Parte que o tempo é poeira
Ando só...
Par desfeito, outrora quarteto...
Sem mais efeitos, imperfeito...
Desfeito... Sem brinquedo... Sem mimos... Sem mim!

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Dor Nascente

A Puberdade - Edvard Munch


Meu corpo é como se não fosse meu
Sinto ser mais do que era
Tenho mais, sei bem mais
Tudo posso, tudo faço

Sinto um estranho morando em mim
Vejo tudo com olhos alheios
Eu que nunca fui assim
Não me sinto ainda inteiro

Deixo a infância
Deixo a inocência
Um novo mundo uma nova crença
Há uma nova necessidade de presença

Meu desejo é por alguém
O corpo aquece, eu te vejo
Estou estranhamente em ti
Onde agora me sinto bem

A voz outrora aguda
Ou a menarca que me vem
Meu humor é inconstante
Tudo muda num instante

Percebo teu corpo sinuoso
Tua voz já me arrepia
Teu toque, uma carícia
Um instinto que me guia

A boneca agora é outra
Meu esconde-esconde, outro lugar
O pega-pega hoje mudou
O encanto do conto acabou

Nossos ritos hoje desfeitos
Olho tantos outros bárbaros
Descrevendo uma passagem
Que natural, cumpro perfeito

domingo, 2 de março de 2014

Saudade à Pagar


Acima de tudo, que não é todo
Herói notável só a mim
Não a todos, parte de mim
Assim ressurge em memória

Memória que me faz bem
E ao mesmo tempo desfaz
Surgem elas, ótimas e péssimas
Sendo minhas duras arestas

Sei do meu receio e lamento
Confiar no que sai de ti
De tua alma, se é que tens
Sei quem o fez, tu me disseste

Neguei meu sangue, sou veias vazias
Percorre agora novos corpos
Não mais o meu
Teu sangue é só teu

Vivendo como em tempos passados
Visto que tudo um dia já houve
Minhas idades transpassadas com lágrimas
Pranto onde um dia já esteve, estive, estiveres...

Que tanto me dissestes a não fazer
Não correr, não largar a mão
De ti tantos não's
De mim tantos porquês

...

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

De Um Pedaço ao Inteiro

A lua que chega agora sem verniz...
Que amarelada, espalhada, destroçada...
Cheia de si, chega-se a mim
Como cilada, finge desarmada

Pule a farsa, busque a caça
Não se faça de força
Quando força não tem
Mas que muito bem disfarça...

Quão dissimulada tu me vens
Perdida, a preferida, desapercebida...
Dispersa-se como os ventos às pétalas
Como a vida ao fim da flor... Finda!

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Ousar Voar

Chegou ao mundo sem saber que voava
Se voava, como então, fazê-lo...
Preso apenas aos cantos, entoava
Enquanto o encanto não se fazia voo

Saltou, então, e sentiu a vida
Cortando a brisa
Fez do ar se mundo
Fez dele uma estrada infinda

Quis subir e subiu
Quis descer, e o fez
O mundo inteiro então viu
Não resistiu vê-lo de uma vez

Por partes então preferiu
Explorar, ousar, voar...
Lutar sem ter que vencer
Um dia feriu-se, então caiu

Ferido percebeu
Que o mundo não era seu
Que voltar levava tempo
Começou o seu lamento... É tanto.

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