sexta-feira, 28 de março de 2014

Caminho Colateral

Mais rápido o homem passa
Passa como se não fosse um bom
Como se ruim fosse, passa
Sem voz, em pranto disfarça

Da música o canto não há
De pranto preenche o ar
É tudo que ainda não fui
Mas é de tristeza que padecerá

Busca qualquer caminho
Não planeja, perfura o vento
Cabisbaixo sem tom nem tinto
Talvez busque um podre ninho... Passarinho!

Há por aqui um banco
Passará direto a se cansar
Numa nuvem há de se sentar
Corria porque ia viver

Apressado porque precisava nascer
Atrasado porque não tinha amado
Abalado porque nunca haveria de conhecer
Um amor que não o deixasse cabisbaixo

Seguiu triste
Seguiu para a vida
Partiu livre
Partiu por sua vida

sábado, 15 de março de 2014

Guarda Versos

Numa mesa qualquer, recolhi você...

Há no ar que foi teu
Por ora poeira do passado
Por mais que tenha passado
Há tristeza por teres partido
E me repartido...
Abatido...
Não mais querido
Eu... Vivo?

Ouve! Houve...
Tuas piadas, meus versos
Teu faz-de-conta qu'eu insisto
A gravidade da grave voz sempre breve soa
Suo por medo da bronca
Sou de onde vim, parte de ti
Par, tic-tac
Parte que o tempo é poeira
Ando só...
Par desfeito, outrora quarteto...
Sem mais efeitos, imperfeito...
Desfeito... Sem brinquedo... Sem mimos... Sem mim!

segunda-feira, 10 de março de 2014

A Dor Nascente

A Puberdade - Edvard Munch


Meu corpo é como se não fosse meu
Sinto ser mais do que era
Tenho mais, sei bem mais
Tudo posso, tudo faço

Sinto um estranho morando em mim
Vejo tudo com olhos alheios
Eu que nunca fui assim
Não me sinto ainda inteiro

Deixo a infância
Deixo a inocência
Um novo mundo uma nova crença
Há uma nova necessidade de presença

Meu desejo é por alguém
O corpo aquece, eu te vejo
Estou estranhamente em ti
Onde agora me sinto bem

A voz outrora aguda
Ou a menarca que me vem
Meu humor é inconstante
Tudo muda num instante

Percebo teu corpo sinuoso
Tua voz já me arrepia
Teu toque, uma carícia
Um instinto que me guia

A boneca agora é outra
Meu esconde-esconde, outro lugar
O pega-pega hoje mudou
O encanto do conto acabou

Nossos ritos hoje desfeitos
Olho tantos outros bárbaros
Descrevendo uma passagem
Que natural, cumpro perfeito

domingo, 2 de março de 2014

Saudade à Pagar


Acima de tudo, que não é todo
Herói notável só a mim
Não a todos, parte de mim
Assim ressurge em memória

Memória que me faz bem
E ao mesmo tempo desfaz
Surgem elas, ótimas e péssimas
Sendo minhas duras arestas

Sei do meu receio e lamento
Confiar no que sai de ti
De tua alma, se é que tens
Sei quem o fez, tu me disseste

Neguei meu sangue, sou veias vazias
Percorre agora novos corpos
Não mais o meu
Teu sangue é só teu

Vivendo como em tempos passados
Visto que tudo um dia já houve
Minhas idades transpassadas com lágrimas
Pranto onde um dia já esteve, estive, estiveres...

Que tanto me dissestes a não fazer
Não correr, não largar a mão
De ti tantos não's
De mim tantos porquês

...

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