segunda-feira, 10 de março de 2014

A Dor Nascente

A Puberdade - Edvard Munch


Meu corpo é como se não fosse meu
Sinto ser mais do que era
Tenho mais, sei bem mais
Tudo posso, tudo faço

Sinto um estranho morando em mim
Vejo tudo com olhos alheios
Eu que nunca fui assim
Não me sinto ainda inteiro

Deixo a infância
Deixo a inocência
Um novo mundo uma nova crença
Há uma nova necessidade de presença

Meu desejo é por alguém
O corpo aquece, eu te vejo
Estou estranhamente em ti
Onde agora me sinto bem

A voz outrora aguda
Ou a menarca que me vem
Meu humor é inconstante
Tudo muda num instante

Percebo teu corpo sinuoso
Tua voz já me arrepia
Teu toque, uma carícia
Um instinto que me guia

A boneca agora é outra
Meu esconde-esconde, outro lugar
O pega-pega hoje mudou
O encanto do conto acabou

Nossos ritos hoje desfeitos
Olho tantos outros bárbaros
Descrevendo uma passagem
Que natural, cumpro perfeito

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